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Sobre a Gurgel Motores > História da Gurgel Motores > Estratégia de crescimento
Estratégia de crescimento
Publicado por Xavante em 13/11/2007 (17236 leituras)
Estratégia

Uma empresa que nasceu e cresceu ocupando nichos de mercado desprezados pelas grandes montadoras multinacionais.


Esse padrão de desenvolvimento não foi obra do acaso ou da sorte. Foi, sim, o resultado de uma estratégia muito bem desenvolvida e obedecida, que permitiu à GURGEL se aproximar cada vez mais da sua proposta inicial, que era ocupar um nicho de mercado desprezado pelas montadoras multinacionais estabelecidas no Brasil: o do carro popular de preço acessível, baixo consumo de combustível e de manutenção barata.


A GURGEL nasceu, cresceu e se desenvolveu ocupando nichos de mercado que pediam veículos especiais. Trabalhando dentro de uma economia de escala diferente, chegou a ser líder inconteste do segmento nacional de jipes, que representava 0,5% do mercado automotivo brasileiro. Nesse nicho, a GURGEL ocupou 75% da produção e das vendas com seus utilitários das linhas Tocantins e Carajás, especialmente depois que a Ford deixou de produzir o Willys, ficando os restantes 25% para a Toyota.


Gurgel Carajás, o "Land Rover" brasileiro

Da mesma maneira, a empresa foi se aparelhando para ocupar o outro nicho de mercado, além de se preparar para sobreviver sem os componentes mecânicos da linha Volkswagen refrigerada a ar, que equipavam seus jipes e que, segundo avisos da própria Volkswagen, estariam condenados a um breve desaparecimento com a saída de linha do sedã Fusca e com as mudanças planejadas para a Kombi.

Em 1984 a empresa havia aberto seu capital mediante a oferta pública de 3,3 milhões de ações preferenciais em busca dos recursos necessários para seu plano de expansão. Logo a seguir foi criada a Gurgel Tec Tecnologia de Veículos S.A., subsidiária da marca voltada para as pesquisas e o desenvolvimento de novos modelos, bem como para o licenciamento e a exportação da tecnologia GURGEL.

Foram aceleradas as etapas de pesquisa e desenvolvimento dos componentes mecânicos e estruturais do novo carro, o BR-800. O motor era usinado e montado na própria Gurgel, seu monobloco foi projetado já em linhas finais, a fábrica se adaptou para o início de sua produção em série e revendedores foram chamados para receber treinamento.

Em 1988, no dia 20 de maio, foi constituída a Gurgel Motores S.A., controlada pela Gurgel Participações S.A. E a empresa lançou no mercado dez mil lotes de ações para obter recursos financeiros da ordem de 60 milhões de dólares, destinados à ampliação de suas plantas industriais. O público demonstrou total confiança no empreendimento e respondeu receptivamente, comprando 90% desses dez mil lotes, enquanto a própria Gurgel ficou com o restante. Os compradores teriam, além das ações, o direito preferencial de adquirir as primeiras nove mil unidades produzidas do BR-800.

Com o aporte de capital a empresa duplicou sua área construída em Rio Claro para 40 mil metros quadrados, com a edificação de seis novos prédios. E ao mesmo tempo adquiriu terreno de 650 mil metros quadrados nos arredores de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, onde construiu sua segunda unidade produtiva no País, para a fabricação de câmbios e diferenciais, bem como uma unidade montadora para abastecer todo o Nordeste brasileiro.


Anúncio publicitário da Gurgel durante a venda de ações

Com essa fábrica localizada no Nordeste, onde há maior necessidade de criação de empregos, a GURGEL pensava atender a um agudo problema sócio-econômico, criando na região cerca de 6.000 empregos diretos e perto de 50.000 indiretos, além de se livrar do fato de que, na época, precisava trazer as caixas de câmbio do BR-800 da Argentina, onde eram produzidas sob encomenda e de acordo com suas especificações, fator que contribuía para encarecer o produto final, segundo explicava o engenheiro Amaral Gurgel.

Ao entregar as primeiras 5.000 unidades do novo carrinho urbano para seus acionistas, a GURGEL passou a receber grande número de valiosas informações dos mesmos, na forma de sugestões válidas, críticas construtivas e opiniões sensatas passadas por usuários e proprietários no dia-a-dia com seus veículos.

A descoberta de dois diferentes nichos de mercado e os planos para ocupá-los com novos produtos específicos.

Com base nessa inestimável massa de informações, a GURGEL descobriu existirem dois nichos perfeitamente diferenciados para seu carro urbano econômico. O primeiro nicho era constituído por uma fatia menor de mercado, composta por compradores de renda mais alta, que queriam um segundo veículo para a família ou um carro para filhos universitários, mas exigiam itens de conforto, de acabamento e maior ?status? do carrinho. Para eles foi desenvolvido o Supermini, cuja produção se iniciou em 1992 e que continuou a ser entregue aos acionistas que ainda não haviam recebido seus carros. Tratava-se de um segmento de mercado mais restrito mas que permitiria obter maior lucro por unidade produzida e vendida.

Com linhas mais modernas e atraentes, denotando cuidados maiores com a aerodinâmica e aperfeiçoamentos mecânicos somados a melhor acabamento geral, o Supermini reunia muitas armas para agradar no mercado e atrair compradores mais exigentes.

Mantendo praticamente as mesmas dimensões do BR-800, o Supermini pesava um pouco mais: 645 quilos em ordem de marcha. Seu motor, denominado Gurgel Enertron, sempre movido a gasolina, tinha os mesmos 792 centímetros cúbicos de deslocamento em seus dois cilindros horizontais contrapostos, refrigerado a água, e oferecendo potência máxima de 36 CV a 5.500 rpm. Sua ignição era controlada por microprocessador eletrônico, que trazia garantia de fábrica para cinco anos. A carroçaria oferecia garantia de 100.000 quilômetros. A caixa de câmbio era temporariamente produzida sob encomenda na Argentina, até que ficasse pronta a instalação da nova unidade que a empresa estava construindo em Fortaleza. E a comprovada certeza de ser um recordista na economia de combustível em uso urbano completava as chamadas de marketing do carrinho, que prometia ao consumidor ? e cumpria ? a possibilidade de se ?destacar do rebanho?.

O segundo nicho, composto por consumidores de faixa de renda mais baixa e interessados na hoje ainda remota possibilidade de poderem comprar um carro novo, zero quilômetro, se apresentava muito mais volumoso e promissor.

De fato, na história internacional do automóvel, sempre houve modelos que venderam quantidades quase inacreditáveis de unidades. Quando um produto era durável, honesto em sua proposta e acessível no preço, o mercado respondia em grande escala. Foi assim com o Ford Modelo T, que chegou a vender mais de 15 milhões de unidades, com o Citroën Deux Chevaux e com o Fusca, este último passando da marca de 22 milhões de unidades.


Supermini, uma aula de design

Para esse segundo nicho, capaz de absorver um marcante e crescente volume de veículos populares no preço, no acabamento e no consumo de combustível, mas avançados, duráveis e confiáveis, a GURGEL começou a preparar seu Projeto DELTA.

Vê-se, então, sem sombra de dúvida, que nada ocorreu ao acaso na estratégia de desenvolvimento da GURGEL, que para isso contava com a excelente aceitação de seus produtos junto ao público, com a simpatia derivada do fato de ser a única fábrica de automóveis totalmente nacional, e com o apoio dos Governos estaduais e federal, que pareciam perceber a importância de se produzir no Brasil carros que, quando vendidos, não desviavam sequer um centavo para o Exterior, além de alargarem nossos horizontes tecnológicos.

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